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Métodos elétricos: uma ferramenta na gestão de nascentes em áreas urbanas

Por: Dr. João André Martins

Métodos elétricos: uma ferramenta na gestão de nascentes em áreas urbanas

As nascentes, sejam pontuais ou difusas, são essenciais para o abastecimento de água e para a manutenção da biodiversidade, mas enfrentam diversas ameaças, como a urbanização. Durante a fase de licenciamento ambiental, a geofísica se torna ferramenta importante na gestão de Áreas de Preservação Permanente (APP), proporcionando bons resultados para o mapeamento desses recursos hídricos.

Os métodos elétricos permitem a investigação do subsolo, permitindo mapear a localização das nascentes. Através da análise e interpretação dos dados geofísicos, é possível determinar a presença de estruturas geológicas associadas ao afloramento do lençol freático. Essa identificação é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de preservação, como a reabilitação de áreas degradadas e a restauração da vegetação nativa, que desempenham um papel crucial na proteção das nascentes. Além disso, novos empreendimentos devem considerar a obrigatoriedade de manter faixas de APP.

Na Ilha de Santa Catarina, por exemplo, que possui aquíferos fraturados da Suíte Intrusiva Pedras Grandes, a aplicação do método de eletrorresistividade mostrou-se altamente eficaz na identificação de nascentes. Os levantamentos realizados durante a fase de licenciamento ambiental na região, frequentemente revelaram falhas ou fraturas associadas ao afloramento do lençol freático. Diferentemente, nas planícies, a ocorrência de solos hidromórficos frequentemente era confundida com nascentes, destacando a importância dos levantamentos geofísicos para excluir restrições ambientais indevidas.

Portanto, a abordagem de investigação indireta é essencial para garantir que as nascentes permaneçam protegidas, contribuindo para a manutenção de cursos d’água perenes, além de assegurar a aplicação adequada da legislação ambiental em função da tipologia dos elementos hídricos.